Ofício da Comissão Feminina, 25 de fevereiro de 1975
Ofício da Comissão Feminina, 25 de fevereiro de 1975
25/02/1975
A participação da Mulher em democracia (1975)
Liberdade e Democracia
É com a Revolução dos Cravos que o papel social da Mulher se modifica radicalmente e deixa de ser confinado ao lar. A revolução das mentalidades ainda iria demorar a efetivar-se mas em 1975 procurava-se já dar relevo à condição feminina, em virtude da renovação que, noutras partes do Mundo, se fazia sentir.
Uma das principais alterações que o 25 de Abril trouxe foi a progressiva participação da Mulher nas diversas esferas da vida coletiva. É hoje bem conhecido o papel reduzido que lhe foi conferido pelo Estado Novo e não admira, por isso, que em pleno Processo Revolucionário em Curso (PREC) a Comissão para a Condição Feminina procurasse indagar da participação política e cívica da Mulher no novo regime democrático. Em 1975 realiza-se, no México, a I Conferência Internacional da Mulher sob o lema “Igualdade, Desenvolvimento e Paz” o que irá trazer, inevitavelmente, reflexos para o plano interno do país, então em vibrante crispação ideológica. Os tempos propiciavam a discussão e confronto de ideias e também as mulheres portuguesas queriam participar ativamente na Revolução.
Em resposta ao ofício que acompanha este texto, o Presidente da Comissão Administrativa informa que, em Estarreja, nenhuma mulher se encontra integrada na Comissão Administrativa da Câmara Municipal, composta, ao tempo, por 7 elementos. Ressalva, todavia, que há mulheres integradas nas Comissões de Recenseamento das Freguesias, importantes órgãos na preparação dos diversos atos eleitorais em liberdade. Fica-nos a curiosidade de que duas mulheres compõem essas comissões, respetivamente, nas freguesias de Fermelã e de Pardilhó.