Colagem de materiais de propaganda política do PREC (Col. José Fernando Correia)
Colagem de materiais de propaganda política do PREC (Col. José Fernando Correia)
A pluralidade democrática
Em 1975 disputavam-se as primeiras eleições para a Assembleia Constituinte. Mais do que uma eleição, tratava-se de um verdadeiro "medir de forças" entre posições mais radicais e mais moderadas da sociedade portuguesa.
O verão de 1975 ficou conhecido como o “Verão Quente”: sentiam-se as altas temperaturas da política, mas também o país era assolado por devastadores incêndios, como se percebe pelas notícias na imprensa local. Também eram notícia, um pouco por todo o país, as ocupações de fábricas e de propriedades, os saneamentos de patrões e encarregados, o surgimento de grupos de contrarrevolução e os confrontos diretos nas ruas. O país era, assim, disputado rua a rua, voto a voto, em cada vila e cidade por uma plêiade de partidos e organizações políticas que Abril fez nascer.
A imagem que acompanha este texto é uma súmula de alguns dos materiais de propaganda política (coleção José Fernando Correia) que, desde a Revolução dos Cravos até às eleições legislativas de 1976, circulam por todo o país. Estes destinavam-se, não apenas a dar a conhecer os novos símbolos e as novas organizações que procuravam corporizar a democracia, mas eram, igualmente, forma de angariar fundos para essas mesmas organizações. Além do seu valor comunicacional para persuasão das populações e de alguma irreverência artística, fica-nos também a memória da multiplicidade democrática, realidade nova num país que aprendia a conviver em democracia.