O Golpe militar que saiu de Braga em 1926 seria o "tiro de partida" para a institucionalização do Estado Novo, após um período de Ditadura Militar. O regime seria apenas derrubado pela Revolução dos Cravos em 1974 e ficaria associado ao atraso e subdesenvolvimento do país e das populações. Não reunindo consensos após um século da efeméride, importa referir que são vários os fatores que explicam o 28 de Maio de 1926.
Cumprem-se 100 anos do movimento que, nascendo de um golpe militar, consolidar-se-á em Ditadura Militar e, mais tarde, redundará no regime do Estado Novo (1933-1974). Nas vésperas do golpe de 1926 parecia evidente que o regime republicano não tinha capacidade para a resolução dos principais problemas do país, num período marcado por greves, atentados, agitação social e agravamento das condições económicas. Procurando uma clara rutura com o passado, o novo regime irá suspender, de imediato, as liberdades políticas, dissolver o Parlamento e instaurar a censura.
Não seria uma situação política transitória e, em breve, com o Plebiscito da Constituição de 1933, o país entraria num dos mais longos regimes autoritários da Europa e que terminaria apenas em Abril de 1974. São vários os fatores que explicam essa longa duração: desde logo os apoios que, em diversos setores, são mobilizados e que se reveem no novo regime mas, igualmente, os mecanismos de controlo que se impuseram às populações, enquadrando-as no espírito desse “novo tempo”. Também algumas instituições foram centrais no moldar das mentalidades, como disso é exemplo a Mocidade Portuguesa – cuja frequência era obrigatória para jovens dos 7 aos 14 anos – e a Legião Portuguesa. A esta última, podiam pertencer todos os jovens com 18 anos ou mais, desde que assumissem o compromisso de servir a Nação, em linha com os princípios do levantamento militar de Braga que hoje se assinala.