Mário Castrim, crítico da televisão (…e do regime)
Nas vésperas da Revolução
Mário Castrim, crítico da televisão (…e do regime)
Nas vésperas da Revolução
Mário Castrim, natural de Ílhavo, crítico televisivo e jornalista influente, enfrentou a censura do Estado Novo com crónicas marcadas por pensamento crítico. Foi também autor de livros infantis, colaborador do Avante! e da revista Audácia.
Manuel Nunes da Fonseca, mais conhecido por Mário Castrim, nasceu em Ílhavo a 31 de julho de 1920.
Professor no ensino técnico profissional, enveredou pelo caminho jornalístico, coordenando, desde 1957, o suplemento juvenil do Diário de Lisboa, terminado em 1970, sob pressão da censura por parte do regime ditatorial. Cativando os mais jovens, escreveu ainda variados livros infantis.
Em 1965, iniciou a redação de críticas à televisão portuguesa, atividade que o reconheceu a nível nacional, tornando-se no primeiro crítico televisivo. A crítica continuara mesmo após o encerramento do Diário de Lisboa, em 1990, escrevendo no semanário Tal & Qual até julho de 2002, altura em que se afastou por motivos de saúde.
Pela sua fé católica, escreveu igualmente para a Audácia, uma revista missionária infantil editada pelos Missionários Combonianos. Convicto comunista e militante do Partido Comunista Português (PCP), colaborou também no jornal Avante!
Pelas críticas realizadas ao longo da sua carreira e pelos desafios que propunha aos leitores para refletirem criticamente sobre o estado político e social do país, muitas das suas crónicas – em claro confronto com o Estado Novo – acabaram censuradas pelo lápis azul do regime.
Casado desde 1968 com a escritora Alice Vieira, faleceu em Lisboa, a 15 de outubro de 2002.