50 anos do 25 de Abril na Região de Aveiro

O ‘Reviralho’ e as reuniões “clandestinas”
  • Nas vésperas da Revolução
O ‘Reviralho’ e as reuniões “clandestinas”
  • Nas vésperas da Revolução
Como as sociedades secretas se opunham ao Regime...
O Estado Novo (1933-1974) era um regime ditatorial autoritário, marcado por um aparelho repressivo, onde se incluía a censura e a polícia política. Por estes motivos, as liberdades dos cidadãos eram condicionadas, impedindo-os de se expressarem livre e publicamente contra o poder instaurado, sob a figura de António de Oliveira Salazar e, mais tarde, Marcelo Caetano. Sensivelmente a partir da segunda metade do século XX, surgiu um grupo designado por “Reviralho”, onde se incluíam diversas personalidades ilhavenses, como Júlio Calisto, Amílcar e Maria Fernandes, Fonseca Dias e ainda Senos da Fonseca, acompanhado pelos seus pais. Destaque ainda para a presença de Mário Sacramento, ainda que de forma pouco assídua. Este grupo, assim como outras sociedades secretas, assinalava-se pela reunião dos seus membros de forma clandestina – única forma, à época, de fazer oposição ao regime – com o objetivo de discutir questões locais e nacionais, o estado e o futuro do país e do regime salazarista. As reuniões ocorriam sensivelmente todas as semanas. Realizavam-se durante o jantar, à volta de uma boa mesa, em casa de um dos vários membros que compunham o grupo, que se revezavam entre si. Chegados de várias localidades do Distrito de Aveiro, os envolvidos precaviam-se, estacionando os seus automóveis em locais dispersos, na tentativa de evitar suspeitas. No entanto, tal cautela não os livrou de serem identificados pela PIDE, que em altura incerta conseguiu infiltrar no grupo um indivíduo – funcionário dos escritórios da Vista-Alegre – auxiliado pela sua mulher. Demonstrando defender os ideais republicanos e democráticos, ajudando e comparecendo com extrema assiduidade, quer aos convívios privados, quer às sessões públicas, o casal fora acolhido sem qualquer tipo de suspeita, passando a registar todo o tipo de informações pertinentes que eram transmitidas nas reuniões e que se consideravam perigosas para o Estado Novo e, por consequência, para a Nação. Só após o 25 de Abril é que os restantes membros vieram a ter conhecimento das ações deste casal, que desapareceu sem deixar rasto.
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