Vieira da Silva no evento comemorativo dos 50 anos do 25 de Abril no Centro de Documentação de Ílhavo
Vieira da Silva no evento comemorativo dos 50 anos do 25 de Abril no Centro de Documentação de Ílhavo
1969
Vieira da Silva, um rosto da resistência
Nas vésperas da Revolução
Vieira da Silva, cantautor ilhavense da resistência
António Manuel Vieira da Silva, destacado cantautor de intervenção, nasceu em Ílhavo a 11 de julho de 1946, filho de João Adamastor da Silva e Maria Adelaide da Rocha Vieira. Ingressou no curso de Medicina da Universidade de Coimbra em 1965, onde, três anos depois, integrou um grupo de fados, iniciando assim o seu percurso na composição e interpretação de canções.
Profundamente influenciado por figuras como Adriano Correia de Oliveira e José Afonso, António Manuel começou a afirmar-se como uma voz marcante da música de intervenção. As suas canções insurgiam-se pacificamente contra o regime autoritário, denunciando a censura, as desigualdades sociais, a opressão política e a guerra colonial.
O Verão de 1969 revelou-se decisivo: em plena crise académica e num contexto de efervescência política, António venceu o primeiro Festival de Música Popular Portuguesa, realizado no Casino da Figueira da Foz. Esta vitória catapultou-o para o centro da cena musical nacional, consolidando o seu estatuto como símbolo de resistência e consciência crítica.
A sua coragem artística valeu-lhe a vigilância apertada da polícia política do regime, tendo algumas das suas composições, como a emblemática “Canção para um povo triste”, sido alvo de censura e proibição. A PIDE tentou, ainda que sem grande êxito, retirar os seus discos de circulação.
Após a Revolução de Abril, participou nas festas do Avante! e manteve um envolvimento ativo na vida política, colaborando frequentemente com o Partido Comunista Português (PCP), integrando as suas listas sem, contudo, se filiar. Foi também candidato pela Aliança Povo Unido (APU) e, em 1976, pela Frente Eleitoral Povo Unido (FEPU) à Câmara Municipal de Ílhavo.
Em reconhecimento pelo seu percurso artístico e cívico, foi agraciado com a Medalha de Mérito Cultural Prateada, entregue pela Câmara Municipal de Ílhavo no feriado municipal de 2024.