50 anos do 25 de Abril na Região de Aveiro

Zeca Fonseca: uma mulher de força, resistência e coração solidário
  • Nas vésperas da Revolução
Zeca Fonseca: uma mulher de força, resistência e coração solidário
  • Nas vésperas da Revolução
Maria José de Senos da Fonseca Picado, conhecida como D.ª Zeca, foi uma professora e ativista social ímpar que dedicou a vida à educação e à solidariedade em Ílhavo.
Maria José de Senos da Fonseca Picado, carinhosamente conhecida como Dona Zeca, nasceu a 2 de dezembro de 1937, em Ílhavo. Desde a infância que se destacou como uma aluna brilhante e dedicada. Reconhecida pelos seus mestres, construiu, a partir da sua inteligência e trabalho árduo, um percurso próprio. Demonstrando desde cedo uma vocação ímpar para os estudos e um sonho bem definido – ser professora – concretizou-o ao formar-se com distinção em Físico-Química, na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, a 29 de julho de 1958. Sempre com um espírito voltado para a solidariedade e o bem-estar coletivo, D.ª Zeca foi, ao longo da sua vida, exigente em todas as causas que abraçou. O seu legado social materializou-se em projetos de grande importância para o concelho de Ílhavo, marcando profundamente a comunidade local. No âmbito da solidariedade social, destacou-se pela sua postura inconformada face à situação de pobreza – habitual no Portugal do Estado Novo – que afetava muitos dos seus conterrâneos. Desenvolveu um trabalho contínuo na procura por melhores soluções para aqueles viviam em situações de extrema vulnerabilidade, incluindo os mais desfavorecidos, pessoas com deficiência, indivíduos marginalizados e os que, de alguma forma, haviam sido derrotados pelas circunstâncias da vida. A sua intervenção centrou-se, sobretudo, nas áreas mais frágeis da sociedade, procurando responder às necessidades mais prementes dessas comunidades. Em 1967, ajudou a fundar a Obra da Criança, uma instituição originada da antiga Obra do Frei Gil, na Ermida, que atendia três crianças em condições precárias. Com o passar dos anos, a Obra cresceu e mudou-se para Cimo de Vila, onde passou a acolher 15 crianças. Em 1980, outra importante iniciativa tomou forma com a criação do CASCI (Centro de Apoio Social e Comunitário de Ílhavo), que, com o tempo, se transformou numa das maiores instituições de solidariedade social da região. Hoje, o CASCI oferece uma ampla variedade de serviços, intervindo em áreas como a ação social, assegurando proteção a pessoas desfavorecidas, visando melhores condições de vida; o acolhimento, dispondo de residências para idosos; a infância, proporcionando uma educação baseada na afetividade e em valores humanos, a partir da creche e da pré-escola; e a reabilitação, direcionada para pessoas com deficiência, contando com um lar residencial e centros de atividades ocupacionais e de reabilitação profissional. Após a Revolução de Abril, destacou-se também no campo da política, desempenhando funções de vereadora municipal com pelouro de equipamento social e habitação, entre 1983 e 1985, tornando-se na primeira mulher, em Democracia, a exercer efetivamente o referido cargo. Guiada pelo princípio da educação superior como um meio de contribuir para o bem-estar coletivo, D.ª Zeca dedicou à comunidade – para além do seu trabalho profissional – o seu conhecimento, acreditando sempre que deveria ser usado para o bem comum, no apoio daqueles que enfrentavam dificuldades maiores. Foi condecorada, no Feriado Municipal de 2001, com a Medalha do Concelho em Ouro, pela Câmara Municipal de Ílhavo. Faleceu no dia 25 de novembro de 2007, com 69 anos. Encontra-se sepultada no Cemitério da Freguesia de S. Salvador.
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